24 de jul de 2015

Segundas Chances





         Não foi fácil te ver sair da minha vida. O fim foi confuso, como se ainda houvessem coisas por dizer, coisas por acontecer. Mas eu não podia te prender e te deixei ir. 

Tentei te esquecer. Seguir com a minha vida. Falei com outros rapazes, fui a encontros, fingi que já nem lembrava de ti. Mas lá no fundo, eu sabia que nossa história ainda estava pendente, por resolver.

Eis que tu voltas, e me diz tudo o que eu sempre quis escutar. Porque contigo sempre foi assim, sabia exatamente o que falar, o que fazer. Como se tivesse meu manual de instruções. Tu dizes-me que sentes saudades, e quer voltar. Que não paraste de pensar em mim. Que estiveste com outra, mas que não conseguiu durar porque era em mim que pensava, era a mim que queria. 

Queria te dizer tantas coisas. Perguntar como haviam sido os últimos meses. Falar da faculdade, dos seus quatro irmãos, da sua família dispersa pelos quatro cantos do mundo. Mas tudo o que eu disse foi "olá". Dentro de mim, uma confusão de sentimentos. Havia mágoa, pelas palavras ditas meses atrás. Havia paixão, um gostar, um querer bem que nunca foi embora. Havia confusão, visto que tu foste embora da minha vida e agora tentava retornar à ela. Mas havia, sobretudo saudade. Saudade da tua voz, do teu cheiro, do teu beijo, da tua gargalhada. Saudades das tuas piadas, do teu humor negro que combina com o meu sarcasmo. Saudade da segurança que só tu me passavas. 

Foram tempos difíceis, esses em que tu estivestes longe. Não só pela tua ausência, embora também por ela, mas por vários outros factores. Às vezes, quis voltar no tempo e te ter de volta. Às vezes quis aninhar-me nos teus braços e contar o meu dia. 

Todos os dias passava pelo "nosso lugar". Era uma tortura. Um lembrete diário do que eu havia perdido. Eu pegava-me pensando em tudo o que havia sido e tudo aquilo em que ainda poderia ser... E ainda não cheguei a conclusão nenhuma. Tudo entre nós é meio que assim. Indefinido, confuso. Não sei porquê, mas gosto disso. Gosto de saber que podemos mudar, transformar todos os dias, ou quase, da ideia de que não temos rotulo. 

Mas ao mesmo tempo, tenho medo. Lembro dos outros, de tudo o que me fizeram, de todas as vezes em que saí machucada, e temo que essa será mais uma delas. É por isso que hesitei em te olhar nos olhos, porque te aceitaria de volta. Teus olhos eram minha perdição. Eu podia ver tudo através deles. E também podia ver o olhar que nunca recebi de nenhum outro homem. Eu podia ver admiração, carinho, desejo, confiança e, quem sabe, algum dia veria amor. E é por isso que te dou uma segunda chance, e junto com ela, um pedido: tente não me machucar.

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