6 de abr de 2015

A ultima carta ao meu ex-amor



Querido Lucas,
Já faz tanto tempo que não nos falamos. Quase dois anos desde o nosso fim. Um ano desde sua ultima mensagem, ignorada por mim. Sinto muito por isso, mas estava cansada de tentar esquecer-te e ter tua presença de volta na minha vida.

Acho que, no fundo, nenhum de nós dois estava pronto para o fim. Já sabíamos que iria acabar em breve, mas fomos empurrando esse relacionamento desgastado com a barriga e nos machucando cada vez mais. Eu e meus ciúmes, tu e teus estresses, sempre a iniciar brigas. Eu disse muita coisa que te machucou, e tu calaste muito do que eu precisava ouvir. Mas existem coisas que eu nunca te disse.

Quero voltar para o dia em que te conheci, para aquele ônibus já velho em uma estrada esburacada. Quero voltar no tempo para a nossa primeira conversa, naquela cidade praiana que parecia um pedaço do paraíso. Falamos sobre tanta coisa e, ao mesmo tempo, sobre coisa alguma. Posso contar-te um segredo? Tudo o que eu pensava era em quando irias me beijar.


Tivemos tantas coincidências do destino, tantos obstáculos criados por nós próprios, tantas armadilhas inexistentes. Fomos amigos, amantes, namorados, confidentes. E agora somos nada.

Não queria que fosse assim. Sempre tive imenso carinho por ti, até mesmo quando pensei odiar-te. Existem coisas sobre mim que só tu e eu sabemos, assim como há coisas sobre ti que sei que tu ainda não contaste a ninguém. Tu derrubaste as muralhas ao meu redor, algo que ninguém havia conseguido. Algo que ninguém havia sequer tentado. E eu decifrei-te como ninguém. Conheci cada tique, mania, vício e entendi o que estava por trás deles.

Conheci o teu melhor lado. Tua espontaneidade, compreensão, carinho, dedicação. E foi por isso que me apaixonei por ti. Conheci teu pior lado. Tua inquietude, pavio curto, falta de paciência, sua personalidade forte. É exatamente por isso que te amei.

Nunca te disse as três palavras, elas ficavam presas na garganta. Mas o sentimento estava lá, cada vez que me mandava mensagens de madrugada após uma discussão com o teu pai. Cada vez que brigamos sem razão e eu pedi desculpas mesmo não havendo culpados. Cada vez que te perdoei por coisas que beiravam o imperdoável. Agora digo-te com todas as letras: eu amei-te.


O nosso fim deixou-me destruída. Confesso que passei dias chorando. Que durante semanas perguntei-me em que ela era melhor que eu, onde havia errado, assumindo para mim que era a única culpada, mas dizendo aos outros que eras tu. Que durante meses não quis estar com mais ninguém. E para ser sincera, não estive. Demorou, mas superei e, mais importante ainda, perdoei. Após o fim, odiei-te e odiei a mim própria. Lembra da minha teoria de que o amor não acaba, apenas muda de forma? Afinal de contas, ela estava certa. Eu ainda amo-te, de uma maneira completamente diferente. Amo-te à distancia e quero que assim permaneça. Desejo o melhor para si, quero a tua felicidade, mas dessa vez não mais do que a minha, e quero que a divida com alguém que ames e que te ame como eu amei. Seja feliz.

Ana

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