23 de set de 2014

Para o meu ex-amor








    Ignorei os conselhos das minhas amigas, as broncas da minha mãe, todos os sinais óbvios. Insisti em você, mesmo quando sabia que não devia. O final já era previsto para ser breve e doloroso.

Você disse que eu deveria ir me tratar e eu fui. Tratei das minhas feridas, da minha pele, do meu cabelo, das minhas roupas. Renovei a alma, o guarda-roupa e a aparência. Descobri que havia sim uma pessoa que atendia a todos os meus critérios: eu mesma. Não é arrogância, é amor próprio.

Depois de aprender a me amar, encontrei alguém que também me amasse assim. Alguém que assistisse documentários de viagens comigo, discutisse história e cantasse música de gosto duvidoso e voz desafinada ao meu lado. Alguém que lida com minhas mudanças de humor, rouba beijos e me trata como uma princesa. Não que eu acredite em contos de fada ou em relacionamentos perfeitos, mas ainda acredito no amor.

Eu posso ver-te agora, com seu sorriso irônico com cara de quem não acredita em nada que estou falando. Eu não me importo. Ele me mostrou que, por mais que eu tenha te amado, por mais que você tenha me machucado, você é apenas passado. Ele é o presente, e o futuro também, assim espero.

Não te desejo nada de ruim. Meu coração é grande, mas já não há espaço para magoas. Quero que você amadureça, corra atrás daquele emprego que tanto queria, aprenda a ser homem e encontre alguém para ser mulher ao seu lado. Ou homem também, nunca se sabe. Eu quero que você seja feliz, sem mim, é claro.

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