2 de set de 2014

Amor e outras teorias








       Mais um daqueles dias. Estou cheia de coisas do trabalho, sou madrinha do casamento da minha irmã, meus pais brigaram, minha melhor amiga está grávida. Mas estou aqui, pensando em você. Tendo tantas coisas pelas quais sofrer, como a miséria, pessoas morrendo de fome, as guerras ou, sei lá, o fim da minha banda preferida. Mas não, você é a causa das lágrimas que tento não derramar. Hump, a nossa música começou a tocar no rádio e isso me lembra ao nosso segundo encontro. Aquele restaurante inspirado nos anos 60 e a música na jukebox. Você e eu dançando e todo mundo olhando e pensando que éramos loucos.

Droga, as lágrimas escaparam. Café. Preciso de café. Quente e amargo, apesar de preferir açúcar sempre. Preciso espantar lembranças doces.

Volto ao trabalho, mas leio as palavras no papel e nada faz sentido. Se você estivesse aqui... Mas não, tinha que ser inteligente o suficiente para receber uma oferta de emprego na Singapura.

Penso em te ligar, mas lembro do fuso horário. Não que essa seja a única falha no meu plano, mas vou te assustar se ligar de madrugada, embora você adorasse me mandar mensagens às três da manhã.

Ligo a TV. Seu time favorito esta jogando. Lembro da ultima vez que assistimos a uma partida juntos e esqueceu a camisa do seu time aqui. Você a quer? Confesso que às vezes durmo com ela, pois ainda tem seu cheiro.

Preciso de um banho. Bem gelado, de preferência. Assim espaireço e talvez morra de hipotermia. Tô fazendo drama, eu sei, você riria disso. Então, me botaria no colo e jogaria sob a água gelada de roupa e tudo.

Droga, por que você tinha que ir embora? E me deixar assim, pateticamente apaixonada. Eu sei que prometi que ficaria bem, mas não poderia te privar se realizar seus sonhos ou admitir que preciso de você pra ser feliz. E eu me odeio por ainda amar você.

Soube que já veio pra nossa cidade duas ou três vezes depois da mudança e pensou em me ligar. Dá próxima vez, não hesite e bata na minha porta. Minha mãe me disse que primeiro amor, a gente não esquece e sou prova viva dessa teoria.


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