24 de jul de 2015

Segundas Chances





         Não foi fácil te ver sair da minha vida. O fim foi confuso, como se ainda houvessem coisas por dizer, coisas por acontecer. Mas eu não podia te prender e te deixei ir. 

Tentei te esquecer. Seguir com a minha vida. Falei com outros rapazes, fui a encontros, fingi que já nem lembrava de ti. Mas lá no fundo, eu sabia que nossa história ainda estava pendente, por resolver.

Eis que tu voltas, e me diz tudo o que eu sempre quis escutar. Porque contigo sempre foi assim, sabia exatamente o que falar, o que fazer. Como se tivesse meu manual de instruções. Tu dizes-me que sentes saudades, e quer voltar. Que não paraste de pensar em mim. Que estiveste com outra, mas que não conseguiu durar porque era em mim que pensava, era a mim que queria. 

Queria te dizer tantas coisas. Perguntar como haviam sido os últimos meses. Falar da faculdade, dos seus quatro irmãos, da sua família dispersa pelos quatro cantos do mundo. Mas tudo o que eu disse foi "olá". Dentro de mim, uma confusão de sentimentos. Havia mágoa, pelas palavras ditas meses atrás. Havia paixão, um gostar, um querer bem que nunca foi embora. Havia confusão, visto que tu foste embora da minha vida e agora tentava retornar à ela. Mas havia, sobretudo saudade. Saudade da tua voz, do teu cheiro, do teu beijo, da tua gargalhada. Saudades das tuas piadas, do teu humor negro que combina com o meu sarcasmo. Saudade da segurança que só tu me passavas. 

Foram tempos difíceis, esses em que tu estivestes longe. Não só pela tua ausência, embora também por ela, mas por vários outros factores. Às vezes, quis voltar no tempo e te ter de volta. Às vezes quis aninhar-me nos teus braços e contar o meu dia. 

Todos os dias passava pelo "nosso lugar". Era uma tortura. Um lembrete diário do que eu havia perdido. Eu pegava-me pensando em tudo o que havia sido e tudo aquilo em que ainda poderia ser... E ainda não cheguei a conclusão nenhuma. Tudo entre nós é meio que assim. Indefinido, confuso. Não sei porquê, mas gosto disso. Gosto de saber que podemos mudar, transformar todos os dias, ou quase, da ideia de que não temos rotulo. 

Mas ao mesmo tempo, tenho medo. Lembro dos outros, de tudo o que me fizeram, de todas as vezes em que saí machucada, e temo que essa será mais uma delas. É por isso que hesitei em te olhar nos olhos, porque te aceitaria de volta. Teus olhos eram minha perdição. Eu podia ver tudo através deles. E também podia ver o olhar que nunca recebi de nenhum outro homem. Eu podia ver admiração, carinho, desejo, confiança e, quem sabe, algum dia veria amor. E é por isso que te dou uma segunda chance, e junto com ela, um pedido: tente não me machucar.

6 de abr de 2015

A ultima carta ao meu ex-amor



Querido Lucas,
Já faz tanto tempo que não nos falamos. Quase dois anos desde o nosso fim. Um ano desde sua ultima mensagem, ignorada por mim. Sinto muito por isso, mas estava cansada de tentar esquecer-te e ter tua presença de volta na minha vida.

Acho que, no fundo, nenhum de nós dois estava pronto para o fim. Já sabíamos que iria acabar em breve, mas fomos empurrando esse relacionamento desgastado com a barriga e nos machucando cada vez mais. Eu e meus ciúmes, tu e teus estresses, sempre a iniciar brigas. Eu disse muita coisa que te machucou, e tu calaste muito do que eu precisava ouvir. Mas existem coisas que eu nunca te disse.

Quero voltar para o dia em que te conheci, para aquele ônibus já velho em uma estrada esburacada. Quero voltar no tempo para a nossa primeira conversa, naquela cidade praiana que parecia um pedaço do paraíso. Falamos sobre tanta coisa e, ao mesmo tempo, sobre coisa alguma. Posso contar-te um segredo? Tudo o que eu pensava era em quando irias me beijar.


Tivemos tantas coincidências do destino, tantos obstáculos criados por nós próprios, tantas armadilhas inexistentes. Fomos amigos, amantes, namorados, confidentes. E agora somos nada.

Não queria que fosse assim. Sempre tive imenso carinho por ti, até mesmo quando pensei odiar-te. Existem coisas sobre mim que só tu e eu sabemos, assim como há coisas sobre ti que sei que tu ainda não contaste a ninguém. Tu derrubaste as muralhas ao meu redor, algo que ninguém havia conseguido. Algo que ninguém havia sequer tentado. E eu decifrei-te como ninguém. Conheci cada tique, mania, vício e entendi o que estava por trás deles.

Conheci o teu melhor lado. Tua espontaneidade, compreensão, carinho, dedicação. E foi por isso que me apaixonei por ti. Conheci teu pior lado. Tua inquietude, pavio curto, falta de paciência, sua personalidade forte. É exatamente por isso que te amei.

Nunca te disse as três palavras, elas ficavam presas na garganta. Mas o sentimento estava lá, cada vez que me mandava mensagens de madrugada após uma discussão com o teu pai. Cada vez que brigamos sem razão e eu pedi desculpas mesmo não havendo culpados. Cada vez que te perdoei por coisas que beiravam o imperdoável. Agora digo-te com todas as letras: eu amei-te.


O nosso fim deixou-me destruída. Confesso que passei dias chorando. Que durante semanas perguntei-me em que ela era melhor que eu, onde havia errado, assumindo para mim que era a única culpada, mas dizendo aos outros que eras tu. Que durante meses não quis estar com mais ninguém. E para ser sincera, não estive. Demorou, mas superei e, mais importante ainda, perdoei. Após o fim, odiei-te e odiei a mim própria. Lembra da minha teoria de que o amor não acaba, apenas muda de forma? Afinal de contas, ela estava certa. Eu ainda amo-te, de uma maneira completamente diferente. Amo-te à distancia e quero que assim permaneça. Desejo o melhor para si, quero a tua felicidade, mas dessa vez não mais do que a minha, e quero que a divida com alguém que ames e que te ame como eu amei. Seja feliz.

Ana

30 de mar de 2015

E tudo muda





        As coisas mudam. A vida muda. As pessoas mudam. Essa é a verdade: estamos em constante mudança, tudo ao nosso redor é instável, efêmero. Mas a nossa essência permanece.

Há um ano, tinha uma vida confortável numa grande metrópole brasileira, estudava numa das melhores escolas do estado, fazia curso de inglês e francês, estava cercada por uma grande família e tinha poucos e bons amigos. Até que minha vida deu uma reviravolta. Vim morar em Portugal, numa freguesia aos redores de Lisboa, mas nem de longe tão cosmopolita e agitada como minha Fortaleza. Longe da minha família e amigos, tendo do meu lado minha mãe e sua nova família. Larguei os cursos de língua, passei a estudar numa escola publica que não lembra nem de longe as escolas publicas americanas representadas nos filmes. Tive que começar do zero. 

Quem via de fora achava que eu estava maluca, minha mãe é uma acéfala e não pensou direito. Mas quem estava de fora não via o quão solitária eu era. Não via as minhas constantes brigas com o meu irmão. Não via a ausência de meu pai. Quem estava de fora não via que meus amigos já estavam distantes, emocionalmente ou fisicamente. Não via que a rotina me consumia e já não sabia quem eu era. Quem estava de fora não via meus problemas com o peso e auto estima derivados de três anos sofrendo bullying na tão tradicional e famosa escola. Não, quem estava de fora só via uma menina de dezesseis anos mudando de país, deixando sua família com saudades.

Quem me vê agora jamais imaginaria quem eu era há um ano. Sou, enfim, feliz. Meu circulo de amizades se expandiu, mas tenho quatro maravilhosas amigas em quem confio meus segredos e loucuras. Alias, acabei de voltar de viagem com elas. Continuo um tanto insegura, mas minha auto estima melhorou muito e costumo atrair mais olhares masculinos. E mantenho muitas das amizades que tinha na minha cidade natal. Minha família permanece... sendo minha família, e até estou mais próxima do meu pai.

Eu permaneço a mesma, na minha essência, mas todo o resto mudou. Minha atitude mudou, meu sorriso, meu cabelo, minhas roupas, minha vida. Agora, solto minha gargalhada estranha sem medo. Olho de volta quando um cara bonito me olha. Faço piadas ambíguas sem me importar com o que vão pensar. Sou mais livre, mais leve, mais eu. Mas eu continuo sendo a menina atrapalhada que tem as quedas mais incríveis, viciada em chocolate e em abraços apertados, que se sensibiliza com tudo e desabafa em um blog. 

Se quer um conselho, te digo para não ter medo de fazer algo porque isso irá mudar algo em sua vida, a sua vida vai mudar mesmo sem faze-lo. Então arrisque-se, seja feliz. E mande o que te impede pra merda.



17 de jan de 2015

Espero que fique bem







          Você me olha com esses olhos, esses mesmos olhos que me desarmavam com um olhar, e eu já não reconheço mais. Quem é você? O que você fez com o A que conheci?

Você abre os braços, os mesmos braços que costumavam me aninhar, me trazer paz, e tudo o que vejo são músculos. Eu costumava ser atraída por eles, mas hoje eles só me causam repulsa. Desde que vi que neles, também estava o lar de outra pessoa.

Você abre sua boca, a mesma que eu beijava como se fosse a melhor coisa do mundo, e dela saem palavras sem nexo, naquela voz propositalmente mais rouca, lembro que ela costumava me paralisar, mas tudo que consigo pensar é: como pude me apaixonar por você? Como pude sentir tanto e , agora, não sentir nada?

Eu não estava pronta para o reencontro. Há um ano, quando você me deixou aos pedaços, achei que te ver de novo doeria, traria de volta tudo o que senti antes, mas tudo o que sinto é pena.

Eu realmente achei que ela te faria feliz, que te tornaria menos canalha, mas aquele sorriso sacana que tanto conheço aparece. Guarde essas desculpas esfarrapadas para alguém que realmente acredite nelas, porque eu já não sou a menina boba que você conheceu.

Depois de você, tive que me redescobrir. Gosto mais de mim hoje do que gostava há um ano. Aprendi a valorizar quem realmente importa, acreditar nos meus sonhos, a não ter medo de soltar minha gargalhada estranha, a usar roupas curtas sem temer seu olhar de desaprovação.

Posso te contar um segredo? Estou me apaixonando por mim. Sei que não sou ou jamais serei como aquelas atrizes nas capas de revista, mas que posso ser bonita do meu jeito.

Não estive com ninguém depois de você. Não por falta de opções - lembra que costumava me dizer que ninguém teria olhos pra mim? -, mas por opção própria. Eu não quero amores baratos como o seu, que desmancham com qualquer brisa. Hoje, pra me conquistar, é preciso mais que palavras bonitas.

Ah, desfaça esse sorriso irônico, isso não é sobre você. Todas as minhas amigas dizem que eu devia te odiar, mas não odeio - por pior que tenha acabado, um dia foi bom - e eu realmente espero que você descubra o amor e que ele te torne alguém melhor, como eu me tornei.

A garota que conheceste já não existe. Ela jaz morta, mas em paz. Meu novo eu permitiu-me reavaliar o passado de forma mais clara. Eu entendo o que houve de errado entre nós e assumo a minha parcela de culpa. Eu te pressionei pra me amar e você fingiu que amava. Tentou evitar me machucar, e acabou machucando mais ainda. Eu te perdôo. Você foi algo muito bom e muito ruim ao mesmo tempo. Mas como eu disse, foi. Eu te perdôo, mas não lhe quero de volta a minha vida. Já lhe dei segundas, terceiras, milésimas chances. Todas as chances que podia durante 8 meses, você teve. Mas acabou, você mesmo disse isso. Então, ignorarei sua mensagem, dizendo que sente saudades. Espero que fique bem.

19 de dez de 2014

Tudo bem







          Se eu pudesse encontrar comigo mesma, três anos atrás, diria que estava tudo bem. Tudo bem se colocar os fones de ouvido no volume máximo para calar a voz interna. Tudo bem chorar baixinho a noite. Tudo bem em se sentir só mesmo lugares lotados.

Eu diria para ela que ela é linda. Mesmo que as garotas mais bonitas da escola neguem. Mesmo que a balança e o espelho a rejeitem. Eu diria para ela usar menos maquiagem e parar de usar esse sorriso falso só porque dizem que ele é mais bonito.

Diria também que não há nada de errado se ela preferir ficar em casa assistindo filmes e comendo brigadeiro ao invés de ir à festas. Que ela é jovem, e há tempo para tudo. Tudo bem também se ela usar óculos ao invés de lentes, e assumir seu lado nerd. Tudo bem se ela gostar de matemática e história, não há nada errado em ser diferente.

Diria para ela não se preocupar tanto com o que dizem, para não dar ouvidos a fofocas. Que maldade a gente arranca pela raiz. Diria para ela que não há nada de errado em preocupar-se com o outro e que, diferentemente do que seus colegas pensam, fome na África é mais importante que um celular novo. Também diria que não é esquisito ela preferir os museus espanhóis as atrações da Disney.

Falaria para preocupar-se menos com garotos e que eles são os burros de só a verem como amiga. Um dia, ela irá conhecer alguém que a faça esquecer todos os outros, e que talvez isso aconteça mais de uma vez, mas antes disso, ela ainda vai quebrar muito a cara, as regras e o coração.

Mas também falaria de seus defeitos. Que sua timidez pode até sem bonitinha, mas pode impedi-la de realizar alguns sonhos, que teimosia não leva a lugar nenhum e a impulsividade a fará cometer loucuras.

Garota, para de guardar suas mágoas para si, é auto destrutivo. Eu conheço esses segredos que você guarda a sete chaves, eu sei que eles machucam, mas guardá-los só faz a dor piorar. Quem realmente importa não irá te julgar por revelar os fantasmas do passado.

Eu diria para ela concentrar-se ser feliz. Rir mais, dançar mais, perder a vergonha de cantar em publico. Diria para ela ser mais ela mesma e menos a pessoa que seus pais esperam que ela seja, ou ela irá perder-se. Que em um futuro próximo, ela irá olhar para o passado, para a pessoa que ela é hoje, e que eu espero que ela não se arrependa de nada. Nos veremos em breve.

12 de out de 2014

Aquele que só foi meu em pensamento








      Dizem que apenas 10% do cérebro humano é utilizado. Quem disse isso, nunca me viu durante uma noite de insonia. Durante a madrugada, meu cérebro funciona na sua capacidade máxima. Penso em um milhão de coisas ao mesmo tempo e acabo por pensar em nada. Penso nas mazelas da Africa, no trabalho escravo na Asia, na turnê da minha banda favorita, na minha nova família e na minha antiga família. Penso em você. Penso em tudo o que fomos e tudo o que poderíamos ser. O que ainda podemos ser.

Você é a minha pessoa. Eu senti isso quando te conheci e a cada dia tive mais certeza. Eu sinto falta das nossas conversas, por vezes, sem nexo, de assistir filmes sem graça e rir de tudo, de ouvir seus planos e compartilhar os meus. Sinto saudades de me meter em situações embaraçosas com você, de ficar acordada até as três da manhã trocando SMS's, de ver o seu sorriso.

Eu fiz planos para nós. Em segredo, é claro. Você me chamaria de maluca. Pensando bem, você já sabia da minha loucura. Queria te levar pra conhecer minha família. Você provavelmente ficaria confuso com a super lotação das minhas festas familiares, com o barulho que fazemos, com as nossas piadas internas, mal de família latina. Minha avó ia sentar do seu lado e ia contar histórias do passado, as mesmas que eu já escutei centenas de vezes, e te faria ameaças caso me machucasse. Meu irmão iria te olhar feio, meus tios iam fazer piadas sem graça e meus primos iam querer brincar com você. 

Ia passar dois anos juntando dinheiro e faríamos aquela road trip pelos Estados Unidos durante o verão. Iriamos atravessar fronteiras, enfrentar problemas, ter brigas quase diárias e nos apaixonar cada dia mais. 

Eu ia revelar meus segredos. Os poucos que ainda não sabe. Ia despir minha alma. Mostraria minhas feridas e cicatrizes e contaria as histórias por trás delas. E ia tentar descobrir sobre o seu passado e tentar alivia-lo.

Não sei o que aconteceu conosco, como ficamos tão distantes? Eu fico aqui, morrendo de vontade de ir falar com você e dizer como sinto sua falta, falta de como eramos, mas tenho medo demais pra isso. Medo de perder aquele que só foi meu em pensamento.

Você era a minha pessoa. Mas escolheu ser passado. Sinto muito, mas não se implora por amor, e eu cansei de implorar pelo seu.

23 de set de 2014

Para o meu ex-amor








    Ignorei os conselhos das minhas amigas, as broncas da minha mãe, todos os sinais óbvios. Insisti em você, mesmo quando sabia que não devia. O final já era previsto para ser breve e doloroso.

Você disse que eu deveria ir me tratar e eu fui. Tratei das minhas feridas, da minha pele, do meu cabelo, das minhas roupas. Renovei a alma, o guarda-roupa e a aparência. Descobri que havia sim uma pessoa que atendia a todos os meus critérios: eu mesma. Não é arrogância, é amor próprio.

Depois de aprender a me amar, encontrei alguém que também me amasse assim. Alguém que assistisse documentários de viagens comigo, discutisse história e cantasse música de gosto duvidoso e voz desafinada ao meu lado. Alguém que lida com minhas mudanças de humor, rouba beijos e me trata como uma princesa. Não que eu acredite em contos de fada ou em relacionamentos perfeitos, mas ainda acredito no amor.

Eu posso ver-te agora, com seu sorriso irônico com cara de quem não acredita em nada que estou falando. Eu não me importo. Ele me mostrou que, por mais que eu tenha te amado, por mais que você tenha me machucado, você é apenas passado. Ele é o presente, e o futuro também, assim espero.

Não te desejo nada de ruim. Meu coração é grande, mas já não há espaço para magoas. Quero que você amadureça, corra atrás daquele emprego que tanto queria, aprenda a ser homem e encontre alguém para ser mulher ao seu lado. Ou homem também, nunca se sabe. Eu quero que você seja feliz, sem mim, é claro.

13 de set de 2014

Promessas não cumpridas







Olhares trocados. Sorrisos sem razão. Madrugadas em claro trocando mensagens. Beijos. Brigas. Beijos novamente. Mais brigas. Gritos. Beijos frios. Ausência. Distancia. Essa era minha rotina ao me apaixonar, inevitavelmente, cansei dela. Prometi-me não me apaixonar de novo. Repeti a mim mesma todos os dias ao acordar e pouco antes de dormir "I can't fall in love".

Eu estava cumprindo com a minha promessa. Mas aí vocês entra na minha vida da maneira mais inusitada. Em uma semana, você ganhou minha confiança, meu coração e poderia ganhar bem mais que isso. Algo em você me atraiu. Ia além do físico. Eu não queria apenas beijos, abraços e mãos bobas. Eu queria estar ao seu lado, te fazendo rir. Você tem o sorriso mais lindo do mundo, a gargalhada mais gostosa, mas por algum motivo, não percebe.

Assistirei documentários sobre as Guerras Mundiais, esses que você tanto gosta, e te abraçarei forte. Falarei sobre nossos sonhos, e ficarei vendo seus olhos brilharem ao falar das suas viagens a Itália. Eu te contarei meus planos malucos, esses que não divido nem com a minha melhor amiga, e ouvirei você dizer quão corajosa e maluca eu sou. E te beijarei, beijarei e beijarei de novo. Eu me entregarei a você, de corpo e alma, como nunca entreguei-me a ninguém, sem medo do fim.

Eu sairei com seus amigos, me jogarei na noite como você gosta fazer, aprenderei a dançar e perderei a vergonha de cantar em publico. Eu conhecerei os seus pais, rirei das piadas dos seu pai e escutarei as criticas da sua mãe, sempre a mimar-te e proteger-te. Eu te apresentarei a minha família, que provavelmente é a mais louca que você conhecerá. Defenderei-te das criticas da minha super protetora mãe, do olhar feroz do meu padrasto, das birras do meu irmão. Contarei minhas histórias do passado, aquelas que ficam trancadas num baú e apenas as pessoas mais próximas a mim conhecem. Eu direi meus segredos, derrubarei as muralhas ao meu redor e permitirei-me ser vulnerável a você. Despirei a minh'alma, derramarei todas as lágrimas seguradas, soltarei o grito preso na minha garganta. Exporei as minhas feridas e deixarei-te cuidar delas.

Eu farei todas essas coisas, desde que você sinta por mim o que eu sinto por você.

2 de set de 2014

Amor e outras teorias








       Mais um daqueles dias. Estou cheia de coisas do trabalho, sou madrinha do casamento da minha irmã, meus pais brigaram, minha melhor amiga está grávida. Mas estou aqui, pensando em você. Tendo tantas coisas pelas quais sofrer, como a miséria, pessoas morrendo de fome, as guerras ou, sei lá, o fim da minha banda preferida. Mas não, você é a causa das lágrimas que tento não derramar. Hump, a nossa música começou a tocar no rádio e isso me lembra ao nosso segundo encontro. Aquele restaurante inspirado nos anos 60 e a música na jukebox. Você e eu dançando e todo mundo olhando e pensando que éramos loucos.

Droga, as lágrimas escaparam. Café. Preciso de café. Quente e amargo, apesar de preferir açúcar sempre. Preciso espantar lembranças doces.

Volto ao trabalho, mas leio as palavras no papel e nada faz sentido. Se você estivesse aqui... Mas não, tinha que ser inteligente o suficiente para receber uma oferta de emprego na Singapura.

Penso em te ligar, mas lembro do fuso horário. Não que essa seja a única falha no meu plano, mas vou te assustar se ligar de madrugada, embora você adorasse me mandar mensagens às três da manhã.

Ligo a TV. Seu time favorito esta jogando. Lembro da ultima vez que assistimos a uma partida juntos e esqueceu a camisa do seu time aqui. Você a quer? Confesso que às vezes durmo com ela, pois ainda tem seu cheiro.

Preciso de um banho. Bem gelado, de preferência. Assim espaireço e talvez morra de hipotermia. Tô fazendo drama, eu sei, você riria disso. Então, me botaria no colo e jogaria sob a água gelada de roupa e tudo.

Droga, por que você tinha que ir embora? E me deixar assim, pateticamente apaixonada. Eu sei que prometi que ficaria bem, mas não poderia te privar se realizar seus sonhos ou admitir que preciso de você pra ser feliz. E eu me odeio por ainda amar você.

Soube que já veio pra nossa cidade duas ou três vezes depois da mudança e pensou em me ligar. Dá próxima vez, não hesite e bata na minha porta. Minha mãe me disse que primeiro amor, a gente não esquece e sou prova viva dessa teoria.


30 de abr de 2014

Coisas que gosto em você










          Eu gosto da forma como minhas mãos se encaixam nas suas. Quando me puxa para o abraço quando andamos pelas ruas ou rouba um beijo, em momentos inesperados. A forma como fala, tão rápido que, por vezes, não consigo entender, e como anda, lentamente, como se tivesse todo tempo do mundo. Adoro as vezes em que te pego me olhando, reparando em cada centímetro do meu rosto. Quando me faz elogios deixando-me envergonhada. Quando passamos as tardes de domingo deitados no sofá, assistindo algum filme francês que você diz não entender. Quando estar ao seu lado em silêncio, torna-se em momentos de paz, não de estranheza.

Você, diferentemente dos outros, não me mudou, aceitou-me exatamente como sou: chata, implicante, dramática, meio maluca, e com todos os outros defeitos que tenho. Com uma visão de mundo moderna demais, com ideais utópicos demais, e com sonhos alto demais. Você sabe, eu não consigo não ser intensa. E foi a minha intensidade e transparência que te atraíram. Eu sei que sou meio maluca, mas nesse meu jeito meio pirado, te dou o melhor de mim, porque ao seu lado, permito-me ser eu mesma. Soltar essa minha gargalhada estranha, cantar minhas músicas prediletas com voz desafinada, falar sobre teorias que elaboro durante madrugadas em claro. Aliás, depois que te conheci, minhas noites de insônia diminuíram. Ouvir o som da sua voz antes de dormir me acalma.
 
Eu sou uma bagunça. Cheia de sentimentos espalhados pelo corpo, palavras marcadas na memoria e um passado cheio de altos e baixos. Você sabe que tenho cicatrizes profundas, inseguranças tolas, medos secretos. Que construí essas muralhas ao meu redor e sou solitária, e que essa solidão, machuca. Àquelas muralhas que me aprisionam, viraram pó. Sinto-me livre, plena, feliz. Você não me completa - já sou inteira -, mas me faz feliz. Talvez eu nunca volte a ser a pessoa que antes, mas aprendi a ser uma pessoa melhor e você fez parte disso.
 
E, apesar de todas as complicações, acho que nós valemos a pena. Que é melhor me rodear com o caos do amor, do que com o silêncio de um coração vazio. Não posso te fazer promessas, mas uma coisa te garanto: enquanto estiver ao seu lado, lutarei por nós, e você nunca me terá pela metade.

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